Não, isso não é um rumor ou coisa parecida. Trata-se apenas de uma reflexão sobre alguns fatos atuais. Primeiramente, explicarei como cheguei ao título acima.

Há poucas semanas foi anunciado o projeto de um novo console de baixo custo, ainda em fase de desenvolvimento, baseado em Android e de nome estranho, o Ouya. A proposta da empresa por trás do projeto é bastante simples e até plausível: hoje existe uma gama enorme de jogos Android com qualidade gráfica relativamente boa quando colocado ao lado de títulos de PS1, GameCube e até mesmo PS2, alguns rodando em alta definição em tablets, a preços que raramente ultrapassam os 8 dólares.

Mas não bastando tais fatos, a empresa foi além e propôs novidades que a diferenciam das demais produtoras, como jogos gratuitos e a customização de software do próprio console, tornando-o o primeiro console de código aberto.



Novos consoles e seus desafios

Lançar um console nunca foi uma tarefa simples, nem mesmo quando a concorrência não era tão acirrada quanto hoje. Exemplos como o Dreamcast e Phantom estão aí para serem lembrados. Na atual geração na qual os gráficos parecem se destacar mais que a proposta do jogo em si ou sua jogabilidade, um console que não consiga pelo menos se equiparar aos demais, pelo menos neste primeiro aspecto, possui grandes chances de estar fadado ao esquecimento.

Num mundo de tablets e smartphones cada vez mais poderosos, é difícil convencer o usuário a adquirir um novo produto que, em suma, não será muito diferente daquilo que ele já possui, e mais, que não será portátil. Na década do jogo casual, o que importa é a distração, a diversão pela diversão, independentemente de onde se esteja.

Pensando um pouco melhor, quase não faz sentido precisar obrigatoriamente ficar em frente a televisão para jogar algo que se pode jogar a caminho do trabalho, no intervalo das aulas junto com os amigos ou na sala de espera de um consultório médico. Até mesmo a customização da firmware não é algo realmente atrativo, a não ser para um público específico que possua conhecimento suficiente para fazê-lo.

Ok, jogar casualmente é legal, mas nem todos os jogos móveis são casuais – aliás, jogos não casuais são tão populares quanto os casuais. E mediante a isso, há um problema secundário: passar minutos ou horas jogando em tablets ou smartphones pode ser bastante desconfortável, principalmente por um motivo o qual o próprio Steve Jobs, inaugurador da era de portáteis atuais, se vangloriava - a não existência de botões de controle ou teclas numéricas.

Sobre o presente paradigma, o jogador casual, mas nem tanto, começa a pensar o quão interessante seria poder ter um joystick para que a jogabilidade se tornasse mais interessante e/ou menos cansativa, podendo tirar mais proveito de determinados títulos.

Um joystick para aparelhos iOS

E assim, chega-se à indagação presente no título deste artigo: e se a Apple lançasse oficialmente um joystick para iPad e iPhone? Refiro-me à Apple, pois a empresa ainda é líder absoluta no mercado de tablets e pelo iPhone ainda ser um referencial muito forte de padrão de excelência para smartphones. Não é fanatismo, apenas encaremos a realidade como ela nos é apresentada.

De volta à indagação, imaginemos o impacto que este simples anúncio provocaria. Muitos questionam se a Apple algum dia irá lançar um console próprio. Pessoalmente falando, a resposta é um “Não”, não por receio da própria empresa em entrar na batalha dos consoles, mas pelo simples motivo dela já ter lançado um: o Novo iPad. Não, você não leu errado.

Graças ao chip A5x, o iPad de terceira geração já conta com processamento gráfico dedicado, rodando imagens em resolução que vai além da alta definição padrão. Fora isso, ele ainda conecta-se à sua televisão com a ajuda de um cabo adaptado ou mesmo sem cabos, via wi-fi (com a Apple TV), além de continuar portátil e casual. Pegue todos estes itens e adicione um joystick. O que você tem? Uma nova geração de consoles!

Logo as lojas de aplicativos para iOS e Android estariam repletas de jogos desenvolvidos tanto para serem jogados com joystick quanto com controles virtuais em tela. O lançamento de novos produtos, como uma sexta geração de iPads com processadores melhores, seria inevitável, bem como novos Androids com processadores Tegra mais potentes.

 As vantagens de um mundo já conhecido

As vantagens dessa geração de consoles iriam além do óbvio. Muito se fala de computação nas nuvens e jogos sendo rodados em servidores, porém, apesar da idéia ser realmente boa (e creio que o futuro passe por aí mesmo), as conexões de internet hoje, principalmente a móvel, mesmo em países desenvolvidos, ainda estão distantes de serem satisfatórias para este tipo de jogabilidade. Além disso, há o fato de esta ser uma alternativa ainda em fase inicial, com disponibilidade em apenas alguns poucos países pelo mundo, pois esse tipo de serviço exige servidores locais para rodar jogos com o mínimo de latência entre o comando e a ação.

Por outro lado, para realizar o download dos mesmos jogos você não precisaria de grande velocidade, até porque este só será realizado uma única vez, fora o fato de não se precisar de uma assinatura mensal para ter acesso a conteúdos diversificados. O que se necessitaria de verdade seria de maior capacidade de armazenamento interno, mas graças a sua grande popularidade, as memórias flash (aquela dos smartphones, tablets, pendrives e cartões de memória) estão cada vez mais baratas, tornando os gadgtes que utilizam a tecnologia mais acessíveis.

Uma questão de mudança de foco ou de mercado?

As duas coisas.

Novamente, investir em um novo console sempre foi uma tarefa arriscada e, nos anos atuais, a idéia se mostra ainda mais desafiadora, principalmente se não há uma proposta realmente nova para os milhares de gamers, casuais ou hardcore, espalhados pelo mundo. Em contrapartida, as tecnologias que alimentam tablets e smartphones na atualidade são mais que suficientes para dar um ar de novidade ao mundo dos videogames e, quem sabe, até mesmo inaugurar uma nova categoria.

Tudo é uma questão de iniciativa das grandes fabricantes desses aparelhos no sentido de lançar produtos oficiais que complementem os mesmos, dando nova funcionalidade ao que já existe e, consequentemente, motivando desenvolvedores de jogos a aderirem a idéia. Resume-se, afinal, numa mudança de foco: olhar para “dentro”, para aquilo que já existe e pensar diferente.

Contudo, a idéia de um console de baixo custo, que consiga proporcionar boa jogabilidade e uma nova dimensão a jogos já conhecidos e consagrados sempre será bem-vinda. Seria hipocrisia demais achar que não existiria um mercado para um produto assim, afinal, apenas uma mínima parte da pessoas deste planeta podem verdadeiramente se beneficiar com os aparatos tecnológicos lançados a todo momento.

Aliás, a mudança do mercado alvo é um dos pontos mais fracos de praticamente todos os grandes consoles lançados até hoje, uma vez que eles ainda objetivam um público cuja renda permita uma futilidade tão cara, diferentemente do que hoje ocorre com desktops, notebooks, tocadores de áudio/vídeo e alguns tablets, que já possuem modelos e preços destinados às classes menos abastadas.

A questão maior para o sucesso de um console como o Ouya não estaria somente resumido ao preço de mercado, mas à qualidade do mesmo, pois outras iniciativas parecidas, como o brasileiro Zeebo, morreram na praia ao falharem neste aspecto principal.

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